O Intermitente<br> (So long, farewell, auf weidersehen, good-bye)

O Intermitente
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segunda-feira, dezembro 29, 2003

António Borges

Excerto da entrevista de António Borges ao Público e à RR.

P - Há pouco defendeu que se mudasse de paradigma, que não faz sentido a ideia do Estado estimular a economia. Depreendo que não concorda as críticas da oposição quando acusa o Governo de ter estrangulado o investimento público. Mas a verdade é o Governo também não fez as coisas bem pois estamos em recessão...

R - A recessão era inevitável, como era inevitável nos Estados Unidos e em muitos países da Europa. Tivemos uma fase de claro excesso da despesa...

P - Nós vamos em cinco trimestres de recessão, nos EUA foram três...

R - Justamente, e isso porque Portugal foi muito mais longe do que os outros nos excessos de 1998, 99, 2000, pelo que agora necessita de uma correcção muito mais profunda. Era inevitável: não havia política económica que o evitasse depois da loucura dos anos que se traduziram em empresas muito endividadas, em competitividade perdida, num défice externo brutal.

Este é um problema, outro problema é a mudança do modelo económico. Hoje em parte nenhuma do mundo, a começar pelos EUA, o modelo se baseia na despesa, na quantidade de investimento. O modelo tem de ser baseado na inovação, na tomada de risco e no lançamento de novas iniciativas, das quais umas resultam, outras não.

P - Por que é que os EUA começaram a recuperar mais depressa do que a Europa?

R - Porque são uma economia muito mais flexível. E depois a nova economia é uma realidade e quem não o compreender comete um erro de fundo. É claro que a nova economia não é o conceito caricatural da Internet que do nada fazia biliões. A nova economia é feita de inovação, de rápida reafectação de recursos e de tomada de risco numa escala antes desconhecida e distribuída pelos mercados de capitais. É isso que faz a diferença entre a Europa continental e os Estados Unidos

posted by Miguel Noronha 11:20 da manhã

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