O Intermitente<br> (So long, farewell, auf weidersehen, good-bye)

O Intermitente
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sábado, janeiro 17, 2004

O Homem à Sexta,


A crónica semanal de Alberto Gonçalves.

Todos os dias, as televisões mostram-nos atentados ou confrontos no Iraque. Todos os dias, as televisões insistem em sublinhar que o Iraque vive imerso num tenebroso caos - decerto por oposição à estabilidade que o país se habituara a gozar. A maioria das vezes, as televisões sugerem que a responsabilidade cabe aos Estados Unidos, o império sedento de petróleo que a "opinião pública mundial" cedo desmascarou.

Justamente, há cerca de um ano, o próprio Saddam confessava profunda identificação com a "opinião pública mundial", confiante de que essa valente instituição impediria a guerra. Por manifesta infelicidade, os EUA exibiram lamentável autismo, e, em curtos meses, o Grande Líder desceu da bazófia ao buraco. A "opinião pública", porém, jamais calou a revolta, e não se tem cansado de berrar contra o satã americano e a conspiração sionista, sua natural aliada. Os "pacifistas" apontam para o pandemónio iraquiano e denunciam: "Vêem? Eles causaram isto."

Resta saber o que "isto" significa. Sendo do género cínico, podemos discutir se o povo do Iraque ganhou na transferência de um regime totalitário e particularmente assassino para uma relativa anarquia, alimentada por bandos vários (por acaso não americanos) e cujo fim é incerto. Mas também conviria olhar em volta e notar que, somente nas últimas semanas, o "coronel" Kadhafi deu sinais de abdicar do terrorismo; têm decorrido encontros mais ou menos assumidos entre Israel e dirigentes líbios, sírios e iranianos; o Irão ameaça uma revolução social que será interessante acompanhar.

A "isto", a "opinião pública" (no fundo a esquerda maluca, o anti-semitismo tradicional e o jornalismo de "causas") não tem prestado a devida atenção. Percebe-se: a mera hipótese de que a intervenção aliada contribua para um mundo mais decente é demasiado dolorosa para ser encarada. Muito preferível é fingir sarcasmo e perguntar pelas armas de destruição massiva. As tais que os EUA iriam com certeza forjar, para ilusão dos simples.

E se, como talvez fosse evidente desde o princípio, as armas químicas não passassem de um pretexto barato para a invasão do Iraque, a remoção de Saddam e, afinal de contas, a instalação no Médio Oriente de uma força dissuasória capaz de impor, de dentro, um mínimo de civilidade na zona? Há quem não goste? Milhões, pelos vistos. Eles lá sabem, mas é sempre engraçado observar o empenho dos "pacifistas" em combater a paz.

posted by Miguel Noronha 11:41 da manhã

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"A society that does not recognize that each individual has values of his own which he is entitled to follow can have no respect for the dignity of the individual and cannot really know freedom."
F.A.Hayek

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